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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

despencam os graus a menos

Sexta-feira mais fria na cidade, sem motivos pra ser que me abalem, mas um fato inegável chama atenção: adeus ar condicionado. Ao menos por uma noite, enfim, ar espontâneo, sem qualquer serpentina gelada pra ditar os liames dessa relação. Ar desobrigado, fôlego simpático aos pulmões, brisa de leve que escapa aos morros sem assobiar canção alguma, sem trazer perfume que seja, despido de qualquer impressão que não a do leve choro.

Muitas nuvens no céu de sexta, tanta promessa d'água começa a minguar os planos deste que tenta, mal projeta, mas sonha fundações, facilidades corporais e pequenos flashes de azulejos comidos pelo tempo, ácido e impassível. É uma sexta de cinzas com aquela luz branca que esmorece por dentro, pesa nas vistas, coloca os membros numa vontade imperiosa de se estirar, enquanto o estômago pede por carinhos insidiosos a uma silhueta clássica.

Tantas saudades se misturam, ebulindo gritos muito rápidos, emulando lágrimas sobre pingos que espalham no primeiro bocejar sobre a pia rasa, quando a torneira não poupa a carne dos jatos excessivos de seu golfar. Meu corpo cheio de novos pêlos agora molhado na altura da barriga, sobre a pélvis, sim, nu ao banheiro, recém-chegado diante do espelho, aspecto antimodelo que meus olhos acostumaram a mirar. Guardo até certa afeição e de tal forma que as unhas se alongam pra fora, os dentes afiam num segundo; seja qual for o invasor, pouco é o tempo antes que os ventos o entreguem, antes que cada detalhe da epiderme faça alarde. Pelos pés, companheiro, voarás horizontes sobre a tua inconfundível assinatura.

No silêncio meus pensamentos se multiplicam como ratos nascidos de velhas camisas, porque ficam pelos cantos, essa mania de não se organizar. Quero um cigarro, cartas de amor, ídolos de barro.

Quero um motivo sem rastro.

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