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segunda-feira, 23 de março de 2009

And when I looked the moon had turned to gold


Hoje, voltando de viagem, tive outra. Percorri distâncias através do nascer do sol pra mergulhar na água ainda quente da memória. Foi na madrugada de domingo que pela primeira vez, passado e futuro trocaram olhares nos meus olhos, para um presente que, obviamente, se mostrara como um comichão na bochecha. Você simplesmente sabe, espero que sim, quando algo não coadjuva na sua vida.

A locomotiva puxava os vagões ainda fora do alcance da vista. Era apenas ânsia, alguns pares de cansados e a distância até a cama mais próxima. Um registro negligenciado da paisagem preparou a surpresa, assim que me dei conta do horizonte assinalado pelo azul mais bonito que eu conheço, aquele que anuncia a aurora, divisavando humores e os atos que se complementavam. Tem força e não perde a beleza, depois se transforma em matizes espetaculares até que impera o branco imparcial dos primeiros passos dos homens.

A segunda vez, digo do encontro temporal na minha cabeça, aconteceu há pouco, tão necessário quanto é o aperto de mão para que se conclua o gesto. Desci do ônibus com a mochila nas costas, ainda aceitando o fato de que chegar nem sempre é voltar, mas um ter de ir. Ainda assim, tudo era tranquilo fora e dentro, como se os vasos estivessem pela primeira vez comunicantes e civilizados. Na esquina, prestes a deixar para trás o que agora se converte em palavra, olhei o céu, sem pretensões, e descobri aquele azul que imediatamente conectou cada imagem, cada risada e os aromas, as coisas que não se disse com a boca e tudo mais que estava em festa. Uma risada besta e toda alegria do mundo no umbigo.

sábado, 14 de março de 2009

De todos os fogos, meu fogo

poema fugido de um beco escuro... fugiu sozinho... e agora vê o sol pela primeira e traz consigo imagens de noites...










uma vez subi muito alto
mesmo sabendo que cairia
toquei no seio do sol e depois mergulhei
pra acabar no mar com essa minha agonia

Trouxe as chamas nas asas
e me disseram que havia mesmo prometido
carregar na carne uma luz que fosse
pra acender aquele fino

prometeu
tá cumprido

mas só me restam fagulhas
pontas de agulhas
num céu sem estrelas
jogado a uma trincheira dessas
que se vê nos filmes da adolescência
com os copos quebrados e o vinho na terra

nem anjo caído
nem artífice da humanidade
nem corpo partido
uma toda tensão nas extremidades dos poros e só
nem doido varrido
tampouco um ser humano são

o que sou não sei
o que sei não é suficiente

nada é bastante
nem mesmo o poema umbigo
que ofereço sem remorso
à tua troça ou desprezo dos amigos
ou então essa rima acima
que quer mais dizer que uma musicalidade pode salvar
o instante onde habita o tema
evitar que se envolvam partes
tão distintas por uma erudição
forçada a ferro e sabatina
pelo amor de deus
quem ainda faz poesia
pra agradar os scholars depois
das histórias de Whittman?
Que vá aflito e vá liso e se veja nu ao centro do seu decorado acento
que chamam todos de trono
e que só lhe serve pra parir os filhos de um vasto estômago

já não tenho mais asas
visto a túnica da eterna vítima
é são bento que está no altar
santiago para aqueles que o lêem de perto
na urdidura da ferida
que sabem exatamente o fel que dá no talo quando não se é mais homem que a mulher que se deseja e toda vida
se esconde numa rua qualquer
no gole mais um de cerveja

incerteza não dá e passa
isso é fardo da alegria
que leve feito um suspiro
vai no vento que ninguém sabe

não me admira
esse poema não se acabe
é porque ainda tem brasa na acha
onde o olho já não mais alumia


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Jackson Browne - For a dancer

Keep a fire burning in your eye
Pay attention to the open sky
You never know what will be coming down
...

Baladinha pra quem interessar possa. Abraço.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Brasil mostra a tua cara...

Está mostrando, minha gente, e é o seguinte: apatia, comodismo, covardia, desinteresse, ignorância, enfim, só pode...









Você lembra dessa imagem? É o nosso querido caçador de marajás em ação, antes do jetski, época da campanha pró-Collor bancada pelo gravatal em peso, que via no garotão a sua representação perfeita.

O meninão meteu o pé pelas mãos, fez das suas, se meteu lá no escândalo PC Farias e até o irmão veio dedar o cara, enfim, se fodeu, passou de máxima representação pro status de sujeitinho desprezível.







Novamente, por meio do espetáculo, tivemos os donos do país decidindo o destino da res publica. Collor recebeu todo o ódio do país e numa catarse nacional as pessoas dirigiram contra ele toda a sua motivação... ou foram dirigidas? Depois do Collor, por acaso, tivemos um único período de esplendor? Ao que me consta, uma surubada de gente se ferrou no governo FHC, como ainda se ferram no governo Lula.

Até quando você vai acreditar nesse teatrinho tolo? Presidente? O problema é quem a gente elege, ou a máquina que recebe o eleito?

Você pode contratar o melhor piloto do mundo para dirigir o seu carro, se a máquina não der a partida, o cara vai ser só o melhor piloto do mundo dentro do seu carro parado.

A maior prova disso?

presidente Luis Inácio Lula da Silva
o vice-presidente José Alencar
e o atual senador Fernando Collor de Mello



Abraços de "eu ainda estou tentando aceitar". Porque, como vocês, eu sou um covardão bunda mole acomodado. Só que me amarro num draminha.

=/