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AVATICATA VIDEOS E PRODUÇÕES

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Deserto

Nesta noite rida
a treva muito breve escapa
aos ruídos

Toda terra grita
quando encontra o primeiro raio
de manhã

Revela-se tudo que instava
em contradições
— sítio de gente sem conserto

Sol a pino
parece incidir
sobre um só
seu gesto cheio de calor
onde a noite fria
foi deitar a última vez
e não encontrou
mais ninguém

pois ia na frente uns dois anos

terça-feira, 28 de setembro de 2010

tempo a toa



É, eu gosto do Back to black. Amy é excelente. O que traz de berço é o diferencial. Poucos artistas tem essa vantagem. Essa é minha versão de dois minutos, de primeira, no talo.

domingo, 26 de setembro de 2010

continua a saga...



mais uma jam
coisa sem critério
propaganda audaciosa

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O que se choca com teu rosa?

     Somos as pessoas do desencanto. Por isso, os destemidos. Vamos em busca da luz, atravessando a escuridão que for, feito nautas que um dia venceram a terra quadrada. E agora? Sim, o que a gente faz, agora, que nada é mais tão sagrado, que limites foram derrubados e até as estrelas parecem tão perto? Tem gente vendendo a vida pra dar uma volta no espaço. Turismo intergalático. Que diriam nossos bisavôs? Nada, já o Alzheimer os teria consumido, mas se pudessem, talvez, "puta que pariu". Nada como uma sonora manifestação nativa pra expressar o verossímil.
     Nossos ídolos estão ruindo. Hoje, sentem-se livres pra criticar Chico Buarque, chamá-lo de merda, pois observam sua arte de um patamar pessoal. O julgamento é uma mera exposição de leviandades, subjetivismo orientado pela mídia, de forma que os pseudocríticos surgem cada vez mais e mais. Que entendem de música, da relação música e letra, música e imagem, que entendem? Isso me foi perguntado, recentemente, e digo: nada, uma vaga ideia, transposição de conhecimentos, no máximo, pra não ficar no escuro.
     Barthes, em Mitologias, diz algo fantástico, por sua honestidade, "pra quê ser crítico, se se temem, ou se desprezam de tal forma os fundamentos filosóficos de uma obra, e se se exige tão firmemente o direito de não os compreender e de não falar deles?". A resposta é simples: criticar se tornou um hábito afirmativo na sociedade de consumo. O indivíduo se afirma sujeito quando levanta a voz, não importa se tem ou não conhecimento de causa, até porque, as conseqüências de uma afirmação tola não existem, já que a tolice é abundante, uma regra geral. A ponto tal, que muita vez aquele que se coloca de forma sensata é que parece um tolo.
     Deveríamos falar tanto? Sempre podemos, sempre poderemos, é importante que isso jamais nos seja retirado. Agora, se nossa busca é por uma vida prazerosa, se queremos ter experiências que nos deem alegrias, uma vida feliz, por que não avançamos em direção a uma realidade menos estúpida? Por que manter o velho hábito de falar por falar? É preciso dar um passo em direção a um ponto mais prazeroso, ele não virá até você. Demanda coragem, mas mais do que isso, exige planejamento. Não cultue personalidades, mas não deixe que qualquer vento derrube as fundações dos teus sonhos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

a Lei da Palmada: um Totalitarismo se encaminhando?

     As pessoas gostam da coisa pronta. Uma coisa só é uma coisa, se ela estiver devidamente caracterizada. Então, se você fala sobre características totalitaristas no Brasil, as pessoas já te apontam e dizem, "meu deus, como assim, olha esse cara". Ok, contenha o seu estrogênio excessivo e acompanhe o raciocínio.

     Está achando que o fenômeno Netinho de Paula é coisa pouca? Se liga, isso se trata de um planejamento bastante meticuloso. Olhemos para o Brasil. Politicamente, depois de tantos anos com vários partidos políticos, o que se percebe hoje, no quadro? PT não é apenas uma representação, mas um ídolo, uma referência a cada brasileiro. Junto a ele temos o PMDB, que é o concentrador dos investidores, dos políticos de carreira, daqueles que tem um poder realmente prático. O primeiro tem poderes práticos, claro, mas sua força simbólica é muito mais perceptível. Então, o que quero dizer é que o Brasil está quase que sob uma bandeira, hoje, a parceria entre o maior partido ideológico e o maior partido prático do país.

     O tal do poder simbólico, que falei acima, é alimentado diariamente pelas emissoras de Tv, mas principalmente pela Rede Globo, que tem os programas mais persuasivos, mais espaço e mais procura. São os irradiadores do trabalho realizado pelos marketeiros da política. Suas campanhas, imagens, música, o horário, a participação de atores ligados diretamente à emissora, os eventos e entrevistas tendenciosos, no sentido de que fazem as mesmas perguntas de sempre, criando aquele espaço familiar, deixando confortáveis os candidatos. E sim, mesmo quando os colocam em constrangimento, mesmo quando parecem apertar o cerco, por favor, pensem nas inúmeras perguntas que poderiam ser feitas a estes políticos e que são dispensadas para "no seu programa político, a senhora disse que vai...". O que quero dizer, é que acredito que temos uma grande rede de comunicação trabalhando pra sustentar ideologicamente os governos que chegam, com sua ajuda, ao poder. Não se precisa fiscalizar o trabalho, não se precisa correr atrás, porque as pessoas estão sedadas com esta propaganda política romântica, que presta culto à personalidades, maneira pela qual conseguem associar, então, a magia da telecomunicação e a propaganda política. A persuasão é tamanha, que as pessoas passam a vestir a camisa, transformando um simples CIDADÃO em herói contemporâneo: aquele que está afastado, cheio de privilégios, e gozando de um status muito maior que sua efetiva atuação.
    
     E agora, o Governo, em sua juris imprudência, quer nos dizer que uma palmada significa agressão, que não pode ser aplicada, sob pena de intervenção do Estado na esfera privada. Se isso não é TOTALITARISMO POLÍTICO, então QUE MERDA É ESSA?

domingo, 12 de setembro de 2010

O sacrifício de Aquiles

    
     Aula de Fundamentos filosóficos da educação. Meu imaginário aguçado pelas exposições, pela leitura já prévia de ensaios sobre Benjamin e Agamben; o caldeirão fervilhando de ideias, em suma.
Fala-me o professor, então, sobre as meninas lobo da India, que foram encontradas por ingleses e retiradas de seu habitat, para uma tentativa de adaptação entre os civilizados. As meninas morreram, no entanto, pouco tempo depois. Posteriormente, li que se trata de uma farsa. Amala e Kamala seriam duas meninas doentes, com deficiência mental, abandonadas pela família, como aconteceu com outras da mesma cultura.
     O que importa é que, naquele momento, a ideia de reumanização me faiscava as ideias. Lembrei-me de Tróia e pensei em Briseida, imediatamente. E por que? As ideias de sagrado, abandono, reumanização, tudo se entrelaçava.
     A mulher é sacerdotisa de Apolo, entregue ao deus como sua prometida. Desta forma, a fêmea é sacrificada na esfera do humano, para estar apta a penetrar o patamar divino onde habita o deus sol. A vida de pitonisa resumir-se-ia a uma devoção intensa, ao transe e às profecias oraculares. Sua feminilidade permaneceria intacta.
     Eis que surge Aquiles, a quem o deus não se impõe. Junto com Agamemnon e seus homens, massacra a família de Briseida e a toma como escrava. A despeito da confusão entre este e aquele, o que me veio como um raio foi a carga ideologica em jogo: o homem, um guerreiro, invade os domínios sagrados de um deus, destrói seus adoradores e toma suas mulheres. A ordem é transgredida e, segundo os preceitos da tragédia, assinalados por Agamben e comentados por Pedro Hussak, alguém terá de pagar o pato.
     A morte do herói trágico instaura uma nova ordem, em detrimento da antiga, que cai diante do sacrifício. Briseida é reumanizada, trazida da esfera do sagrado, onde vivia separada, para a do "comércio dos homens". Sim, porque tornou-se escrava sexual, um prêmio de guerra, cuja beleza coroa o gesto. Mais do que uma simples conquista, um romance, mais do que o envolvimento entre homem e mulher, o que salta aos olhos é a vitória do homem, inquieto, incorrigível, sobre os grilhões arcaicos de uma ordem instaurada.
     A grandeza de Homero é arrebatadora, seus ramos ainda dão frutos muito saborosos, por isso sua influência no ocidente é inestimável. Aos trancos e barrancos, vou vivendo de palpitações que a arte me provoca, todos os dias, no seu deitar magnânimo sobre a forma das coisas.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Não morra antes do tempo!

Se a gente tem de polarizar a coisa, mesmo, vamos lá, eu gostaria de chamar de Deus toda atitude. Indiscriminadamente, e com o juízo completamente impessoal, Deus, toda atitude tomada pelo homem, parte de seu processo natural. Inclusive, as restrições. Mas opa, pera lá, toda restrição, numa sociedade justa, deve ser uma vírgula, não um ponto final, já que certos valores não precisam ser ultrajados para que uma sociedade organizada estabeleça diversas práticas. Deus é a experiência do homem sobre a terra, seu movimento pelo planeta, seus gestos e seu discurso, o jeito como ele veste a realidade sensível de significados e, mais, como estes significados se tornam tão incrivelmente gigantescos, apontando pra um céu inatingível. É, aí, bastante necessário apontar que o vocábulo inatingível, "aquilo que não se pode atingir", trabalha sob duas perspectivas que podemos adotar:

aquilo que não se pode atingir,

1) porque não se pode atingir. (argumento nocivo)
2) porque não se sabe como.

Enquanto o argumento 1 termina toda e qualquer possibilidade de progressão, o 2 propõe um olhar ao abismo. Encarar o Nada e contemplar o que muitos homens fizeram no passado, um espaço que necessita ser incorporado pelo espetáculo da civilização, em busca de perguntas e respostas, que são a massa e os blocos com os quais constrói seu império.
Força e inteligência são instrumentos, ambos tem o mesmo peso, numa sociedade sem um princípio. O nosso, teoricamente, é o de que toda vida deve ser preservada. Por isso a força bruta perdeu espaço para a maliciosa retórica, porque a morte dos inimigos deve continuar em um terreno onde o sangue, de preferência, não se derrame sobre os azulejos.
O poeta, filósofo, gênio, e o diabo a quatro, Fernando Pessoa diz,

"Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz
Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!"

O que vê a tua alma? Anda ela tão rasteira, que apenas o pó da capoeira é alimento suficiente pra te agradar? O poeta diz, assino eu embaixo, deixa que a tua asa dê uns passos e te leve pra dançar no alto das possibilidades de ser um mamífero civilizado, no meio de tantas máquinas e estimulantes ao deus dará.
Muito sábio, Giorgio Agamben orienta meu pensamento, com seu "Estâncias", sobre o espírito acidioso. Inicialmente, acídia era característica do espírito angustiado e desesperado, que vitimizava os cristãos enclausurados. Alguns, diga-se de passagem, ansiavam por se tornarem acidiosos, porque acreditavam que tal penitência os aproximava mais de deus. Depois, os acidiosos passaram a ser os que se entregavam à preguiça, ao fazer-nada, num hedonismo vicioso e contagiante.
Ao homem que ambiciona uma vida de conquistas, de realizações transformadoras, tanto interior, quanto exteriomente, cabe a sorte do trabalho. Não o trabalho como "emprego", "ofício", que é, verdadeiramente, aquilo que aprisiona o artista, mas o trabalho como atividade que necessita de energia para acontecer e expressar a caminhada do ser humano rumo à convivência ideal ao maior número de pessoas possível.
Entreguemos nossos passos à força viva de Dionísio, que é o símbolo cultural da energia transformadora, capaz de conjugar contrários, harmonicamente, em uma relação instável. As diferenças coexistem para produzir uma gama de possibilidades originais, por isso toda homogeneidade é falseada. A heterogeneidade é a condição humana, e feito vulcão a massa que habita o interior, espírito forte, que é Vontade, aguarda seu momento de romper as estruturas. Antes da sua erupção, faça a diferença.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

ManaW



ensaios...
começando a aprender.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Dois num beco


Tenho um trecho aqui da mais pura verdade.
Está interessado em uma troca?
Tomou-me anos até que eu pudesse separar
todo aquele enxofre misturado.

Foi uma experiência muito estranha ao cabo,
quase me esqueço de como se fala,
já que nos espaços onde nasce a honestidade
existe apenas um monte de imagens.

Mergulhado em completo silêncio por todos
os lados que temos feito,
pedi licença e abri trilha com o dedo mindinho,
sentindo os espinhos de braços dados.

e roçavam secos, sarrando o saco,
o seio,
selando pactos de carne vermelha
sem pedir um gole do sono,
tomando o sangue com todo o jeito.

Tenho um trecho da mais pura verdade,
coisa rara de se encontrar nestas áreas.

Façamos depois o parto da minha dualidade,
pois tenho sede das tuas mentiras;
não estou diante de um palco para olhar apenas
as cortinas vermelhas com detalhes dourados,
nem mesmo me encolher sobre a cadeira,
quero a ilusão de que homens tem asas,
as mulheres fazem magia negra e os anões,
coitados, barbados e ranzinzas sobem às mesas,
falam gesticulando muito e em altos brados,
bebem até cair o sol e as suas calças aos pratos
ainda sujos.

Quer servir o joio gelado com gotas de limão.
Ofereço a ti um pedaço de honestidade,
no entanto, afirma querer fantasia, faz
festa à ideia de se comprazer do simulado.

O que está me oferecendo é carbono,
neste processo comunicativo.
Eu quero o diamante lapidado, a pedra
mais rígida e frágil do planeta,
com as almas de todos os antepassados
que morreram para defendê-lo
em cada uma das oito faces do cristal
que volta à luz suas facetas.

Falseador da verdade natural,
Amante das mentiras,
Arquiteto sem escrúpulos de cadafalsos escuros,
Desprezo tua feitiçaria, teu engenho amaneirado!

Tua tinta tem o toque do suco gástrico.