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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Menina Chora

"Ajeita os ombros. Se tivesse penas coloridas, estariam reluzentes no sol de si. O olhar é insistente, o queixo projetado dá-lhe audácia. A boca estala de impaciência: língua descolando de um céu seco. Do outro lado, a nuca ferve. Não precisa olhar, seu corpo é alvo. Sabe. Todas as células agem conforme o script, alertando a presença invasiva de energias austeras. Os dedos brincam na ponta do cotovelo, aquilo que de mais afiado e rígido há por ali. Além, ainda montado no robusto animal calado, pensa que se trata de fragilidade, porque assim lhe foi ensinado. 'Toda mulher é uma rosa. Cada gesto é uma pétala que se revela em dança. Separa os passos mais abaulados para este caso. Hás de triunfar". Não era um baile de sábado, era uma guerra, aquilo que havia entre eles. Os dedos no copo acompanhava a contagem regressiva. Um, dois, três. O pinto estava puxado, a granada arremessada partiria o crânio, antes de espalhar seus estilhaços pelo chão. Engenharia milenar empregada na autopreservação.

Quando tocada, teve um espasmo. A mão lhe saiu da pele, porquanto nos olhos vinha uma fúria, que de tão fula, as narinas se abriram, simiescas que só. A boca, no entanto, já expressou aquilo que as vistas logo perceberam: era tanto o encanto, que o silêncio lhe grampeou o ar no pulmão, num único golpe. A pele arrepiou-se debaixo da roupa. Estava, naquele instante, presa de tanta atenção, que sua única vontade era sair dali correndo e mergulhar nos lençóis de alguma infância."

 

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