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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Ausente


Ter
perder-se
feito poeira
Semblante úmido
no corpo amargo
um órgão ao funeral
mas nem uma nota
o compasso perdido
nem sequer uma nota
um brusco adeus
nem mesmo a saideira
uma súplica do pó agora grudado
esfrega as mãos
rude Fala
coça os poros mete as unhas
rude Afasta
ri da carne viva
rude Mata
e aqui dentro um silêncio
geme na carne
um tremor que me acende
espasmos de mortos
músculos desavisadamente impulsivos
um tremor que me anima
e me dissolve
que me reage e me amarrota
que me deixa num canto esperando
alguma coisa desfazer o instante do desencantado
aquele em que você fugiu me levando
mesmo eu tendo ficado
mesmo eu tendo agarrado
com unhas quebradas
o pranto que na garganta deito

3 comentários:

Vanessa disse...

Nosso pranto que fica na garganta e as vezes sai com um grito.
As vezes ele só grita "desculpa", as vezes ele só grita "desculpo", as vezes ele só grita "adeus".

Ou as vezes é só um osso de galinha que custa a descer.

Mars Elle disse...

Pois é.

Ana Carolina disse...

na garganta deita o pranto, mas nas letras faz-se espanto.

isso ficou lindo, querido.