Muitas vezes, penso na educação que meus velhos me deram. Hoje, principalmente, já que minhas responsas de educador aumentaram com a paternidade. Eles sempre diziam, não experimente tudo, porque é um caminho sem volta. Levo isso comigo e penso bastante antes das coisas que coloco em minha vida, sejam pessoas, substâncias, gestos. Nunca entendi, até pouco tempo, o que aquelas palavras que considerei exageradas, produto de uma estima excessiva, guardavam de sabedoria.
Ao estabelecer um encontro, seu corpo guarda as impressões deste contato. Não importa se uma boa ou má experiência, haverá memórias que lhe farão recordar alguma coisa registrada a respeito. Estas memórias podem ser entendidas como um espectro que vaga no seu mundo interior. Ele vai falar com você, expressão da necessidade de retorno ou de fuga, da vontade de reviver a experiência pregressa ou de fugir de qualquer coisa que insinue tal situação. O caminho sem volta não é sucumbir a alguém, ou algo, mas a eterna relação que existirá entre a coisa que se experimentou e você, para o resto dos seus dias.
Feliz é aquele que aprende pelo exemplo, pois não sente na carne o sofrimento de todo o aprendizado.
Você procura algo no que consome, ou faz só por gosto?
Por muito tempo, sinceramente, fui um daqueles caras que não só não ligava pra isso, como criticava os contadores de calorias. Continuo achando os controladores uns freaks, mas com certeza o interesse pela natureza das coisas que se ingere não é nenhuma paranoia. Ao contrário, acredito que é sinal de interesse com relacionamento que existe entre o corpo e a mente.
Este iogurte da Nestlé, ali em cima, é meu favorito, quando vou ao mercado e tenho que escolher entre algumas marcas bastante tradicionais. Ele não é o mais caro, mas é, com certeza, o que tem maior concentração de cálcio e menor quantidade de sódio que os outros. Uma vez, olhando aqueles que vêm em pequenas embalagens, percebi que a maioria dos que são vendidos por preços baixos agregam muito pouco à alimentação do indivíduo. Ou seja, tem muita gente aí bebendo preparado de leite com vários conservantes e amido pra engrossar, pelo simples fato de que se chama "iogurte" e, claro, sempre ouvimos que beber iogurte faz bem à saúde.
Agora que estou entrando na vida velha, pai e o escambau, fico ligado na literatura da nutrição, dou umas lidas no como foi feito, no que se colocou ali, pra ter uma noção do custo-benefício. Com certeza, tem produto melhor no mercado que essa beleza, mas aí já entramos no incrível mundo das pessoas com alta renda e, bom, trata-se de um caminho desconhecido pra moi.
Tem alguma marca brasileira de iogurte, que nutre legal? Alguém recomenda? Não faço a menor questão de sustentar os caras da Nestlé, se dá pra comprar algo de qualidade aqui, no Brasil, pra brasileiro enriquecer.
Seguindo a lógica da exploração colonial, o UFC, que pertence à empresa americana Fertitta Entertainment, vem ao Brasil tomar uma grana dos brasileiros, com a mediação de empresários e celebridades daqui. Não estou culpando os lutadores daqui por emprestarem suas caras ao evento, não mais do que merecem, porque sei que aqui, no país, não existe incentivo e investimento. E não existe isso tudo por quê? Porque, justamente, quando você não investe, você deixa espaço pra investimento. Com isso, o governo não gasta e ainda recebe algum, que vem das mãos dos empresários internacionais. Não é sensacional esta estratégia de enriquecimento?
Por que não pediram a empresas nacionais pra se unir e montar um fundo pra organizar um evento nacional? Por que a Globo, Bandedeirantes, Record e os outros não se envolveram pra criar uma transmissão de peso e com as promoções que sabemos criar? Por que as celebridades não se juntaram pra enaltecer e ajudar a construir um evento brasileiro de porte? Simples: porque todas estas pessoas, aqui, estão envolvidas com a presença do empresariado que vende as possibilidades do país pra empresários estrangeiros explorarem. Rios de dinheiro que deixam o país pra construir padrões de vida, que depois são exibidos na TV como a vida glamourosa das celebridades. É nojento, ultrajante e injusto.
Falando um pouco sobre o combate entre Wanderlei Silva e o sósia do Jim Carey em Debi & Lóide, Rich Franklin: um papelão de Wanderlei. Ainda que o script dissesse que tudo ali tinha de endeusar o brasileiro (Franklin parecia dever a vida a Wanderlei, no fim da luta, de tantos agradecimentos), a coisa não foi boa pro Wand, como chamavam os narradores. Não porque Rich tenha feito uma luta fenomenal, não, mas porque a debilidade do curitibano era palpável. Uma completa falta de estratégia, uma entrega amadora ao combate, sem qualquer segurança e grandeza. Quem assistiu ao fiasco, ontem, sentiu muitas saudades do grande Rickson Gracie, ex-lutador de MMA, com 484 lutas vencidas, de 486 disputadas.
Neste vídeo, dá pra ver claramente algumas estratégias que Wanderlei poderia ter adotado. Viu aquele lance, onde o Rickson enfrenta um cara gigantesco, aproxima-se o suficiente pra tentar um agarrão e conseguiu botar o cara no chão? Não importa que Silva tenha um estilo, tenha um tipo de luta, dane-se, isso tudo vira pó diante de um fato: perdeu pra uma estratégia medíocre, coisa que os Gracie jamais se dignaram a viver em suas vidas profissionais. Salve, Helio Gracie.
O que são as ZATs, minha gente? Segundo Hakim Bey, um cara que curte ficar pensando, são associações organizadas sem a estrutura hierárquica tradicional, onde as pessoas se relacionam sem que suas identidades estejam investidas de poder pra controlar, pra se destacar, pra usufruir de prazeres exclusivos. Esta reunião de pessoas prioriza todos os esforços como responsáveis pela construção do todo. Por que o garçom é menos fundamental na construção de um bom restaurante que um gerente? Porque a faixa salarial é a demonstração disso. O proprietário é quem deveria reconhecer isto, como seus funcionários desempenham funções de igual importância para o restaurante, visto que um não pode fazer o trabalho do outro e o seu, ao mesmo tempo. E caso um fique de fora, o serviço é comprometido. Esta importância é clara e óbvia e deveria ser reconhecida no salário.
Meu pai foi comerciante muito tempo, agora está aposentado. Durante anos pude ver como se organizavam, o que falavam, do que reclamavam e o que queriam. Era um serviço pesado e até hoje é. Ninguém que tem seus desejos insatisfeitos pela pouca remuneração que recebe pode se dedicar a uma atividade extenuante, física e emocionalmente. É absurdo. Por isso, vivem num sistema de rotação, vivem saindo e entrando dos restaurantes, ou acabam doentes, com a saúde completamente debilitada pelos anos de esforço. Um homem de visão, que pensa na produtividade, observa que este tipo de ambiente precisa mudar, como o mundo mudou e os interesses mudaram. Os empregados voltam pra seus empregos depois de terem lido sobre "benefícios de emprego", "liberdade de atuação", etc., e você acha que o arcaísmo implementado na organização da empresa vai dar certo? Desculpe, seus empregados são mais inteligentes do que você, pois sabotam uma coisa fadada ao fracasso. Não seja burro, abra seus olhos, o mundo gira, você, que é o empregador, precisa criar as condições necessárias pra que seus funcionários trabalhem com gosto e dobrado, se preciso, dando risadas, por tudo que aquela empresa significa pra eles.
Fazer o bem pras pessoas não é fazê-las sorrir, dar presentinho, tapa nas costas, ninguém vive ou é reconhecido por seus esforços ganhando brinde. O que se precisa é conscientizar esses malditos políticos, corruptos e egoístas, poucos com algum escrúpulo e sensibilidade, de que o suor do funcionário e seu tempo dedicado à empresa não é pra ser recompensando com o MÍNIMO, senão, teu serviço será mínimo e teu lucro, que pode até ser grande, dependendo da empresa que tem (que se beneficiam do simples hábito dos consumidores, como uma série de Supermercados), mas nunca vai representar a competência do teu trabalho e o brilhantismo das tuas ideias. No máximo, representa o dinheiro que vem de berço e que se multiplica na exploração débil do proletariado. Coisa de quem não vale o que defeca. Grandes inimigos de uma sociedade mais justa, diga-se de passagem.
Fica, então, a dica: quando for organizar teus funcionários, ou sendo você funcionário, pense que existe um mundo em desenvolvimento e que você precisa acompanhá-lo. Uma pessoa de boa-fé não explora outra, podendo manter com ela uma relação justa de recompensa por esforço. Uma pessoa que quer estar cercada de coisas boas não sai por aí reafirmando a sacanagem generalizada e nem perpetua o sofrimento. Existem diversas formas de se organizar empresarialmente. Seja criativo, seja honesto e seja justo, e tua vida vai ser o resultado disso. Seja tacanho, seja desonesto e seja injusto, e tua vida também vai ser o resultado disso. Morô?
Penso que a propaganda desempenha um papel na vida dos consumistas, mas, sinceramente, não sei até onde ela é tão determinante assim. Veja bem, sempre vi propagandas de diversos tipos de automóveis, mas quando ouço a respeito de adquirir um carro, sempre ouço comentários a respeito da "facilidade com que se consegue peças da Wolksvagen" ou "as vantagens financeiras do Fiat Uno".
Não que elas não tenham certa influência, elas têm, só que creio que é mais a de preencher um espaço e reafirmar lideranças, do que realmente convencer o expectador de algo. Hamburguerias daqui de Curitiba têm bastante clientes, mesmo com a propaganda incomparável de grandes marcas da fast-food, como o Burger King e o Mc Donalds. O público vai atrás do sabor e da experiência. A propaganda na televisão só reafirma que estão são marcas líderes no mundo.
Agora, como veículo de promoção, é bastante evidente a eficácia da propaganda. Quando se precisa fazer uma referência popular, procura-se algo que todos conheçam, logo, as referências mais propagandeadas são as escolhidas. Além das marcas, os governos aproveitam bastante o poder da propaganda e fazem de seus atos políticos um espetáculo aos olhos do povo. Serve pra que seus nomes sejam lembrados, quando por meios diversos conseguem suas reeleições e eleições.
Do mesmo jeito que acontece com os produtos, a propaganda política também não exerce a menor influência concreta na decisão dos cidadãos quanto à política. Os nomes já são conhecidos, sua influência já está determinada, o fluxo de votos já é estimado e pouco se consegue de imprevisível.
A coisa é feita por outras razões, de outra forma e com intenções muito pouco transparentes. A propaganda política ocupa o espaço que deve ocupar no espetáculo da falsa democracia, aquela que existe na televisão e da qual o povo fala nos bares e nas esquinas. Não é, nem de longe, aquilo que realmente acontece nos palácios e câmaras, nos refúgios onde a imunidade e as polícias garantem total sigilo.
- Câmbio. Aqui é Ive Brussel. Repetindo, Ive Brussel. Me don't speak English. Record. Translate. Câmbio.
Those were the few English words ever spoken.
- Câmbio. Sou brasileira, vivo no Rio de Janeiro, no bairro da Glória. Preciso fazer uma denúncia urgente, porque as coisas aqui estão ficando horríveis. Os estados de carência são diversos. Precisamos de ajuda urgente, ou vamos continuar sob o julgo do nosso Senhor, o Estado, representado pelos empresários e políticos que fazem o intermédio das negociações estrangeiras e vivem de grandes comissões. Somos escravizados, como sempre fomos, a diferença é que agora temos mais regalias. A estrutura nunca foi quebrada. Ainda existe uma pequena parte da população se beneficiando sobre a exploração de centenas e centenas de outras, que são iludidas a respeito de uma democracia folclórica. Câmbio.
It was pretty difficult to understand what that woman was saying, but he was son of brazilians. He was there, trying his new toy and suddenly she was speaking about that country, those people and their problems. What was he supposed to do? Listen to it, he thought, at least was something he could do fine. What about talking to her? What if he could speak a little bit? What would be the words? He was trying to think of something to say, but she spoke again.
- Câmbio. Pagamos fortunas em impostos, mas eles simplesmente não investem. Muito é desviado pra atender necessidades pessoais, contas fora do país, investimentos em imóveis, negócios, pessoas. Nossos médicos estão abandonados, nosso serviço público é um lixo e o Estado é totalmente conivente com a superexploração. As pessoas morrem em corredores de hospitais abandonados e sem remédio. Os idosos não conseguem se aposentar. Os pequenos empresários são massacrados com a concorrência estrangeira e vivem de pequenos grupos de fieis. Estão roubando nossas vidas a troco de migalhas, do que cai em desuso na cultura superior e vem pra cá como farelo. Nos refastelamos com o que sobra da experiência de primeiro mundo, construída com o suor de incontáveis operários. Câmbio.
She was denouncing her own country as a machine of slavery and all sort of unscrupulous behavior. It was pretty serious. He always heard that in South America, things were very difficult to manage, but he never thought of something that bad. He held the speaker close to his mouth and pressed the button.
- Cambio. Diga más. Cambio.
He thought he wasn't heard at all and was about to give up, when she spoke.
Alfajor Negro, da Punta Ballena. Meu amigo, é praqueles momentos em que você está na rua, caminhando loucamente, ignorando o transporte público em favor de algum movimento corporal. Ajuda a ventilar a mente, dá paz ao espírito. Só que em um momento, tua taxa de açúcar pode cair lá no pé, tem gente que até desmaia. Não dá, né?
Come alguma coisa doce, pequena, dá um up na tua vida e chega ao fim da jornada. Esse aí faz você até caminhar mais devagar, pra prestar mais atenção às papilas gustativas. Consistência, chocolate, doce de leite, a medida de açúcar e sal pra te enlouquecer as ideias.
Dica: coma alguma coisa salgada antes, pois o sal vai deixar sua língua receptível para a total experiência dos açúcares.