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sábado, 28 de fevereiro de 2009

cuspideira glandular

Olha só, que agora me atormento com essa figura no mínimo intrigante. El diablo. Aí tava matutando um lance com umas emoções que ficaram me mordendo, fora uns desapegos que andam rolando por força do destino, aí me saiu essa baboseira que compartilho:

Palhinha co' diabo


Bastou virar as costas
De azul se fez o céu escuridão
Camaleônico satânico experimentado
Era o diabo meu com a mão no braço

aparecido

- Quem dera fosse perpétuo o fim do laivo
que ficou retido na esfera do pensamento
músculo cardíaco é o caralho
só sabe bombar o sangue pra filamentos
delgados

e eu espantado ouvia o discurso
que não se acabava nem se reproduzia
preocupado se o diabo me faria ouvir pra sempre
as vozes da sua loucura afetiva


- Não basta que tenhamos fé, cantemos juntos.
Nem que acordemos com o hálito de luas inteiras,
separemo-nos por qualquer bobeira e depois nos amemos
até a morte, criemos deuses, também, para dar nossa sorte
de presente. Morramos como dois pedaços de ilhas que
jamais tocados apóiam um ao outro a pura ânsia de não dormir
jamais!

quanto mais bebia
mais falava o diabo dos seus amargores
em forma de axiomas de sílabas tônicas
proparoxítonas sonantes pros nervos
um mantra pra curar o desassossego
que a própria companhia de si causava
era uma serpente de bucho cheio
trocando as peles pelos cotovelos

sai dali amando como sempre fizera
com um pé atrás por precaução
mas não por medo de quem ficara
ali no meio das próprias águas
falando ao reflexo das linhas no rosto
que ganhava ao longo do verbo

no mais, era imortal
estaria sempre por perto

- sempre...


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

psicoloucos

Opa, de volta de uma longa viagem até São Martinho, no sul de Santa Catarina, cá apresento uma amostra do lugar onde foi realizado o Psicodália. Quem puder conferir o festival, em sua próxima edição, não perca, vale muito na vida de qualquer pessoa viver por alguns dias numa vibração daquelas, principalmente pra quem curte o rock 'n roll.



poema numa nota de cinco

beijo como quem se esquece
e abandona a sorte no beiço alheio
beijo como quem não tem leme
mas infla a vela no peito
como se tivesse um sopro

e ninguém estivesse vendo
enfiado nas pálpebras
correndo a boca na alma
mastigando movimentos
eu beijo como se tivesse dó
como se tivesses medo

beija como se gritasse
aperta como se modifica
pela boca eu te escuto

arritmia

beija como se tentasse
tua alma se pudesse lenta
flanar espaços rindo
beija como se não fosse outro
senão todos
como se a vida não valesse à pena
deixa que teu corpo
na escuridão da pálpebra fria
encontre repouso na umidade
quente do meu idioma
beija como se lesse um poema
como se cada palavra um abandono


beijo como se acabasse
e tu como se ainda não
na boca a única verdade

paralelos opostos
saciados na contradição

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Your name is Big Brother...

Esse lixo é cada vez mais insípido. Olha, cá pra nós, o Big Brother podia ser um programão. Se tivessem pessoas ali testando teorias comportamentais, reações a estímulos dentro de um sistema, enfim, nós teríamos um programa que conseguiria ser engraçado e produtivo ao mesmo tempo.

Mas pra quê? É só meter aquela cavalona morena com o rabo de fora que tá maneiro. Como se numa academia qualquer não tivesse por aí uma dúzia de belos rabos pra se olhar.

Mulher é uma maravilha, cara, coisa igual não há, mas essa de muito lombinho e pouco tutano é uma merda, hein? Ainda mais quando é a televisão que vem propagandear com aqueles ares de celebridade. Topar com uma boçal na rua e levá-la pro seu quarto é uma coisa, há que se perdoar, mas pay-per-view de um bando de sem gracinhas sexualizados por script? Ah, tome no reto, faz favor.

Falando em Maravilha...

Stevie Wonder - Talking Book


1. You Are The Sunshine Of My Life

2. Maybe Your Baby

3. You and I

4. Tuesday Heartbreak

5. You´ve Got It Bad Girl

6. Superstition

7. Big Brother

8. Blame It On The Sun

9. Lookin´ For Another Pure Love

10. I Believe (when I Fall In Love It Will Be Forever)

É com certeza um dos melhores álbuns que já ouvi. Muito bem feito, muito bem arranjado, Stevie destruindo na voz, mas destruindo mesmo, e chamando Jeff Beck, sim, ele toca nesse álbum, pra fazer das suas. As tiradas do Beck em Lookin' for another pure love são demais, assim como são demais os hits Superstition (regravado por Steve Ray Vaughn) e Big Brother. Ouçam, Stevie Wonder é muito mais que I've just called to say I love you ¬¬

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

god's touch



Érico Palmaton tocando o clássico Somewhere over the rainbow. Eu não perdia, se fosse você.


Porque o coroa é simplesmente foda.
Um vídeo pra alegrar os corações nesse fim de ano. Então, é isso.

Bom dia!

citação: não cite, recite!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Cegueta

Não acho meus óculos. Que merda. E que tédio cavalar. Um emprego? Eu estudo, pesquiso e observo, não, muito obrigado, pode ficar com o seu e com as suas lindas férias na praia, ou seu carro novinho cheirando a bundinha de robô. Quando for a hora, novamente, quem sabe. Um ano sem trabalhar. Que coisa, hein? Sim, parasitando família, sim, vivendo parcamente, aproveitando pouco os prazeres do comércio, os luxos, as oportunidades, sim, não economizo pra comprar um apartamento, não vou viajar pra Europa, nem vou por acaso conhecer uma atriz global zanzando no Shopping da Gávea, onde só pra respirar o mesmo ar você já está pagando mais, sim, eu não vou ser um vencedor pra se casar com a sua filha...


E DAÍ? E QUÊ QUE TEM?

Eu, hein. Minha merrequinha tá dando, futuramente, se eu quiser, ainda rola de garfar uma bolsa pro mestrado, aí a grana é melhorzinha. Sim, de bolsa em bolsa, até chegar ao fixo, que eu espero não seja tão restrito.

Pois é, alguns curtem ver a estrada da vida de suas grandes janelas de vidro, ou ainda de jalecos brancos indefectíveis, outros preferem viver o movimento, um verbo que se desloca no tempo como uma criança que nem sabe que está nua. E como se vive o movimento amarrado a uma mesa pelo calcanhar?

CORTA ESSE FIO DE ARIADNE, FILHO DA PUTA!

Pra vocês, meus amigos, eu deixo aqui um presente mptrístico, um álbum muito bom, de uma banda que não deu lá muitos pulos. Blind Faith, banda de Steve Winwood e do grande e inigualável Eric Clapton. O álbum tem as clássicas Can't Find My Way Home, em duas versões, acústica e elétrica, além de Presence of the lord, composição do Clapton. Ginger Baker também dá sua cara no álbum, mas é Steve Winwood que domina.


CD: 1
1. Had to Cry Today
2. Can't Find My Way Home
3. Well All Right
4. Presence of the Lord
5. Sea of Joy
6. Do What You Like
7. Sleeping in the Ground
8. Can't Find My Way Home (acoustic)
9. Acoustic Jam
10. Time Winds

CD: 2
1. Jam No. 1: "Very Long & Good Jam"
2. Jam No. 2: "Slow Jam #1"
3. Jam No. 3: " Change of Address Jam"
4. Jam No. 4: "Slow Jam #2"

Baixe CD 1 aqui
Baixe CD 2 aqui

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Termina com ela II

o sapato agora ficou para trás

do pé que ainda se vê sombra

estilhaços do salto pelo chão

sementes agora transmutadas

pelas doze badaladas da noite


tudo compõe a cena da fuga


da barra de vestido que rodou

rodou e levou no vento a moça

aos cabelos cheios dos meus

melhores e mais ternos olhares


lá se vai a moça correndo na lua

tão negra no pano de fundo prata

vai fugindo da música que toca

serenata para um sozinho alado

que devagar faz mira ao longe

e devagar ainda vê cair ao som


do tambor


seu espelho partido




quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

sex a piu

nas tuas coxas
eu-me
no reflexo das esmeraldas
nossa
nem parece que me tenho
cabelo trigal
pele de fora
nariz à toa embicado
feito pássaro no vôo
preso no decolar
nunca entendi
essa vontade de chupar
a tua boca que me dá
essa gruta habitada
língua feroz cheia de fio
afiada no desvario
capaz de dar um nó na cabeça
dum homem sem si
e de novo escorro sem pressa
pra tua coxa largada aberta
e de olhos abertos durmo de ti,
sonho detalhes de pêlos,
costuras e estampas de bichos
e relevos,
e quando percebo tento
não vejo, quero divisar,
mas só há tecido lá,
só há tecido!
E a fome aperta da embalagem -
tecido o cio pelo fio que origina
toda essa lenga lenga
fico a morder a barra da cela
e se ela?
mas se ela?
vai que de repente...


e você acena lá de cima
"vem"
e sorri;
e eu digo,
"tá muito iluminado pra sair daqui"
depois de pensar "fudeu"
e domingo mais um pouco
de frente pro ninho
com o corpo louco já mexendo sozinho
escondendo o sorriso: brinco

tá com quem?