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terça-feira, 16 de março de 2010
O Diário de Saulo Laporta: Chuv
Dançaram aqueles dedos durante toda a noite. Não houve tempo naqueles momentos, só o do compasso, só aquele ditado pelo arquiteto das notas, das trovas, das trevas que fugiam à luz das diminutas, tão poucas, tão lúcidas, vivendo depois, em cada pensamento que parecia nascer embalados pela voz suja no piano-bar. Nem a lua foi feliz naquela noite, vendo que as criaturas alucinadas tinham outra musa, era a música, aquela linha tênue entre som e palavra, um tapa, às vezes no peito, às vezes na cara. Chegar em casa foi um começo, porque o fim estava aceito desde os primeiros passos pra longe do piano, fechado, com uma capa preta por cima, onde ficou o chapéu do artista, agora longe demais pra se lembrar. Talvez com raiva de si mesmo, talvez insatisfeito com aquela noite, como mais tantas, talvez com frio em sua cabeça quase calva, ainda resistente, mas já frágil pela idade. Talvez queira fazer outra coisa antes de morrer. Precisa de outras vaidades que não aquelas notas tão entregues, aqueles versos tão falados, aquelas mesmas estórias que ele traveste, onde joga confetes, às vezes aparando arestas ou podando as ervas daninhas dos canteiros que ergueram por aí. Ah, tuas mãos falantes me causam amor, uma admiração doce que causa vergonha, às vezes. Volto todas as noites pra confirmar que tuas falanges saudáveis ainda podem encantar o canto que aos poucos derrama; mas no dia que fores, tua musica ficará, artista, definitivamente amada por mim, sepultada em algum canto interior, pra voltar nas noites que me restam depois de ti.
quinta-feira, 11 de março de 2010
das liberdades individuais
O que tenho percebido, ultimamente, é o alcance da liberdade individual. Chegamos ao ponto em que as autonomias interferem diretamente na experiência social, ao meu ver. Como assim? Bom, vamos a um exemplo prático.
Você está indo até a casa de seu amigo, Plínio, aquele que não vê há tempos. Então, ao chegar no Plínio, ele diz que vai tomar um banho e pra que você o espere em seu quarto. Naturalmente, você o faz. Ao passar pelo quarto do irmão de seu amigo, no entanto, a curiosidade impede que continue o caminho. Ele está escutando Tokio Hotel (neste momento, este que vos escreve está indo ao youtube ouvir uma das músicas da banda).
EXPERIÊNCIA EM TEMPO REAL DENTRO DA CABEÇA:
- a música chama World behind my wall;
- parece a antiga música dos anos 80, só que com menos instrumentos fazendo coisas legais e mais vazio anti-estético;
- a voz é a de um adolescente, apresenta uma técnica muito limitada, o falsete é feio;
- a letra fala da vontade de um astro por conhecer como é o mundo lá fora, longe da tv, entre as pessoas reais, como se agora existisse um espaço poético da condição bigbroderiana de vida;
- a música é uma linha regular que começa e termina como quase tudo que se faz pra esse tipo de público.
Você bate na porta e começa a conversar com o moleque sobre música. Ele se adianta, diz que não ouve muito aquilo, mas que até gosta. Tá escaldado, claro, já vive aquele sentimento de culpa porque sabe que tem umas pessoas que não engolem aquilo. Eu poderia dizer que fãs de Franz Ferdinand não estão lá muito melhores, mas não quero que a vida dele seja boa e o deixo ali, culpado. Digo que o som é ruim. "O som é fraco demais, o cara canta mal, a batera é chata, olha só, 'tututututumpá, tututututumpá', diretão, ai cai no 'tu tum pá' depois, porra". O moleque te olha, pensa bem, você é maior, mais experiente. Ele arrisca o que tem, o que ouviu há um tempo e o deixa bastante seguro de si. "É uma questão de gosto".
Ato II: FUDEU
Gosto: o que é o gosto? Ao meu ver, "gosto" é aquilo que se depreende da experiência de um indivíduo em relação às coisas que existem pra se gostar. Aquilo o que? O conjunto das razões que lhe fazem ir até determinado objeto e tenha para com ele uma experiência recorrente. Então, quando falamos de gosto musical, não estamos falando tanto da música, em crítica, porque não somos críticos musicais (por isso o "Ao meu ver", acima) em sua maioria esmagadora (e os que são, ou dizem ser, andam tímidos ou sumidos, dando emprego pra adolescente na Tv falar sobre o que não sabe), estamos falando de gosto pessoal. E o que é isso, senão um cartão de apresentação?
A vivência de mundo é o trabalho incessante da construção de uma identidade social. O que você veste, ouve, vê, pensa e fala, como age, enfim, são critérios adotados por quase todos para definir quem é você no espaço da interioridade de cada um que se preste a conhecê-lo (e esses critérios avaliativos são, em sua maioria, tão viciados quanto aqueles que orientam o "gosto"). Então, quando você diz que gosta de Tokio Hotel, está-me dizendo que é uma pessoa:
- que gosta de um piano fácil
- que gosta de uma voz fácil
- que gosta de uma guitarra fácil
- que gosta de uma batera fácil
- que gosta de uma letra fácil
e pior
- que gosta de tudo isso misturado
Logo, o que você nos está dizendo é:
Sou uma pessoa que tem prazer com experiências de pequena intensidade.
O prazer entra em sua vida de uma forma muito simples, muito tacanha. Sua vivência de mundo é a do "easy living". Aquiles olharia você com tanto desprezo que não seria capaz nem de matá-lo, tamanho o medo que uma desgraçada alma como a tua pudesse lhe render prejuízos sendo libertada da prisão da carne. Capitão Nascimento diria que você nunca será.
Contraponto Saúde - Um serviço de sanidade pública
Bom, pra que fique claro, ninguém que não goste de Tokio Hotel está afastado da música Pop. Existem muitas bandas Pop que você pode gostar, sem que esteja entregando o seu ouvido a coisas tão fáceis. Um exemplo disso é a banda de Pop Rock, The Reign of Kindo, ou TROK, como se diz por aí. Vamos a uma comparação sadia entre as músicas:
http://www.youtube.com/watch?v=zlLkscjDWsA&feature=fvst - "World behind my wall" e
http://www.youtube.com/watch?v=zlLkscjDWsA&feature=fvst - "Reign of Kindo"
Comparações:
Ambas trabalham timbres atuais, dos instrumentos ao vocal, mas a diferença são os recursos empregados. O vocalista do TROK trabalha mais recursos vocais que o carinha do Tokio, criando nuances pra música, intensificando a experiência quando coaduna diversidade e tempo. O instrumental do TROK faz a mesma coisa, trabalhando acordes simples, coisas bastante praticáveis, demonstrando que não é somente o que você toca, mas como toca, como organiza o som, pra que a música seja o produto de um trabalho inteligente. Ou seja, nada mais do que a capacidade dos músicos, seu talento, traduzindo-se em prazer.
conclusão: sua predileção por experiências medíocres faz de você um bundão.
Você está indo até a casa de seu amigo, Plínio, aquele que não vê há tempos. Então, ao chegar no Plínio, ele diz que vai tomar um banho e pra que você o espere em seu quarto. Naturalmente, você o faz. Ao passar pelo quarto do irmão de seu amigo, no entanto, a curiosidade impede que continue o caminho. Ele está escutando Tokio Hotel (neste momento, este que vos escreve está indo ao youtube ouvir uma das músicas da banda).
EXPERIÊNCIA EM TEMPO REAL DENTRO DA CABEÇA:
- a música chama World behind my wall;
- parece a antiga música dos anos 80, só que com menos instrumentos fazendo coisas legais e mais vazio anti-estético;
- a voz é a de um adolescente, apresenta uma técnica muito limitada, o falsete é feio;
- a letra fala da vontade de um astro por conhecer como é o mundo lá fora, longe da tv, entre as pessoas reais, como se agora existisse um espaço poético da condição bigbroderiana de vida;
- a música é uma linha regular que começa e termina como quase tudo que se faz pra esse tipo de público.
Você bate na porta e começa a conversar com o moleque sobre música. Ele se adianta, diz que não ouve muito aquilo, mas que até gosta. Tá escaldado, claro, já vive aquele sentimento de culpa porque sabe que tem umas pessoas que não engolem aquilo. Eu poderia dizer que fãs de Franz Ferdinand não estão lá muito melhores, mas não quero que a vida dele seja boa e o deixo ali, culpado. Digo que o som é ruim. "O som é fraco demais, o cara canta mal, a batera é chata, olha só, 'tututututumpá, tututututumpá', diretão, ai cai no 'tu tum pá' depois, porra". O moleque te olha, pensa bem, você é maior, mais experiente. Ele arrisca o que tem, o que ouviu há um tempo e o deixa bastante seguro de si. "É uma questão de gosto".
Ato II: FUDEU
Gosto: o que é o gosto? Ao meu ver, "gosto" é aquilo que se depreende da experiência de um indivíduo em relação às coisas que existem pra se gostar. Aquilo o que? O conjunto das razões que lhe fazem ir até determinado objeto e tenha para com ele uma experiência recorrente. Então, quando falamos de gosto musical, não estamos falando tanto da música, em crítica, porque não somos críticos musicais (por isso o "Ao meu ver", acima) em sua maioria esmagadora (e os que são, ou dizem ser, andam tímidos ou sumidos, dando emprego pra adolescente na Tv falar sobre o que não sabe), estamos falando de gosto pessoal. E o que é isso, senão um cartão de apresentação?
A vivência de mundo é o trabalho incessante da construção de uma identidade social. O que você veste, ouve, vê, pensa e fala, como age, enfim, são critérios adotados por quase todos para definir quem é você no espaço da interioridade de cada um que se preste a conhecê-lo (e esses critérios avaliativos são, em sua maioria, tão viciados quanto aqueles que orientam o "gosto"). Então, quando você diz que gosta de Tokio Hotel, está-me dizendo que é uma pessoa:
- que gosta de um piano fácil
- que gosta de uma voz fácil
- que gosta de uma guitarra fácil
- que gosta de uma batera fácil
- que gosta de uma letra fácil
e pior
- que gosta de tudo isso misturado
Logo, o que você nos está dizendo é:
Sou uma pessoa que tem prazer com experiências de pequena intensidade.
O prazer entra em sua vida de uma forma muito simples, muito tacanha. Sua vivência de mundo é a do "easy living". Aquiles olharia você com tanto desprezo que não seria capaz nem de matá-lo, tamanho o medo que uma desgraçada alma como a tua pudesse lhe render prejuízos sendo libertada da prisão da carne. Capitão Nascimento diria que você nunca será.
Contraponto Saúde - Um serviço de sanidade pública
Bom, pra que fique claro, ninguém que não goste de Tokio Hotel está afastado da música Pop. Existem muitas bandas Pop que você pode gostar, sem que esteja entregando o seu ouvido a coisas tão fáceis. Um exemplo disso é a banda de Pop Rock, The Reign of Kindo, ou TROK, como se diz por aí. Vamos a uma comparação sadia entre as músicas:
http://www.youtube.com/watch?v=zlLkscjDWsA&feature=fvst - "World behind my wall" e
http://www.youtube.com/watch?v=zlLkscjDWsA&feature=fvst - "Reign of Kindo"
Comparações:
Ambas trabalham timbres atuais, dos instrumentos ao vocal, mas a diferença são os recursos empregados. O vocalista do TROK trabalha mais recursos vocais que o carinha do Tokio, criando nuances pra música, intensificando a experiência quando coaduna diversidade e tempo. O instrumental do TROK faz a mesma coisa, trabalhando acordes simples, coisas bastante praticáveis, demonstrando que não é somente o que você toca, mas como toca, como organiza o som, pra que a música seja o produto de um trabalho inteligente. Ou seja, nada mais do que a capacidade dos músicos, seu talento, traduzindo-se em prazer.
conclusão: sua predileção por experiências medíocres faz de você um bundão.
quarta-feira, 10 de março de 2010
ManaW toca Santana
Pois é, agora divulgo por aqui também.
Música regravada pelo Santana, acho que a original é do Peter Green. Vale a pena dar uma olhada nas versões originais. Estamos começando com a banda, processo de acerto, de conhecimento e reconhecimento, de harmonização do grupo, aquela coisa que tem de ser bem fundamentada pro trabalho ser sério, pra não pesar nas costas.
Hoje, olho pra trás e lembro que não conseguia dar um dó/sol e cantar ao mesmo tempo. É bom ver que a prática do estudo leva a uma melhora notável. Não me faz sentir confiante no presente, mas faz com que o futuro pareça mais doce um pouco, menos avinagrado. Quero e preciso melhorar muito minhas habilidades, preciso cuidar da garganta, preciso fazer os exercícios, preciso estudar música... enquanto isso, vou me divertindo, espero que alguns venham junto.
Música regravada pelo Santana, acho que a original é do Peter Green. Vale a pena dar uma olhada nas versões originais. Estamos começando com a banda, processo de acerto, de conhecimento e reconhecimento, de harmonização do grupo, aquela coisa que tem de ser bem fundamentada pro trabalho ser sério, pra não pesar nas costas.
Hoje, olho pra trás e lembro que não conseguia dar um dó/sol e cantar ao mesmo tempo. É bom ver que a prática do estudo leva a uma melhora notável. Não me faz sentir confiante no presente, mas faz com que o futuro pareça mais doce um pouco, menos avinagrado. Quero e preciso melhorar muito minhas habilidades, preciso cuidar da garganta, preciso fazer os exercícios, preciso estudar música... enquanto isso, vou me divertindo, espero que alguns venham junto.
segunda-feira, 8 de março de 2010
idiotecnocracia
Ao meu redor, baixezas, idiotias. Sim, estou falando sobre os idiotas que compõem a nossa sociedade ativa e inativa. É pretensioso da minha parte? O que é mais danoso ao ser humano, a pretensão, muita vez a fumaça espessa do óleo que queima por dentro, ou a apatia diante do medíocre, a fanfarra diante do fácil, o desejo pelo que já vem deglutido, o deslumbre pelo que reluz, ainda que não seja ouro? Penso que sua resposta vai definir as coisas entre nós dois.
Milhões de pessoas sustentam bundas, peitos, corpos quaisquer com o suor do trabalho, de várias formas, fazendo do cuidado e do desenvolvimento do corpo, além de implantes e cirurgias corretivas, algo de muito mais valioso que a maioria dos diplomas. Muitos estão satisfeitos com o fato de que homens que correm atrás de bola, alguns até gordos e enferrujados, ganham salários milionários enquanto médicos ganham muito pouco pro trabalho que fazem e pra dedicação que precisam ter. Vários indivíduos estão aí, sustentando uma indústria artística viciada no romântico barato, no apelativo em excesso, no clichê reproduzido em série. Inúmeras pessoas anseiam por reconhecimento, pelo familiar, pelo local seguro, um terreno reconhecível onde possam pisar seus pés calejados.
O que se pode pensar de pessoas que choram por estar diante de um ator inábil e que pouco provou de sua carreira? Isso quando não é claro que o tal talento é baseado exclusivamente na padronização da beleza. O que se pode achar de pessoas que se matam por conta de um jogo de futebol em que os atletas, todos juntos, não tem metade da dedicação e entrega daqueles que ali estão torcendo e se matando? No que devo crer quando descubro que uma escritora ruim, de estrutura e conteúdo mais do que previsíveis, insípidos, nada desafiadores, é uma das mulheres mais ricas que existe? O que se deve concluir quando uma mulher, que comemora o dia que a segrega da totalidade humana, nem sabe o porquê do que está fazendo? O que se diz de movimentos que pregam o orgulho racial, o "100% Cor", como resposta a outros movimentos que também pregavam o orgulho racial?
A serpente, que se arrasta para sempre, trazendo na boca o beijo mortal, é a primeira a dançar ao som do pássaro canoro, livre nas nuvens que cultiva como altar.
Milhões de pessoas sustentam bundas, peitos, corpos quaisquer com o suor do trabalho, de várias formas, fazendo do cuidado e do desenvolvimento do corpo, além de implantes e cirurgias corretivas, algo de muito mais valioso que a maioria dos diplomas. Muitos estão satisfeitos com o fato de que homens que correm atrás de bola, alguns até gordos e enferrujados, ganham salários milionários enquanto médicos ganham muito pouco pro trabalho que fazem e pra dedicação que precisam ter. Vários indivíduos estão aí, sustentando uma indústria artística viciada no romântico barato, no apelativo em excesso, no clichê reproduzido em série. Inúmeras pessoas anseiam por reconhecimento, pelo familiar, pelo local seguro, um terreno reconhecível onde possam pisar seus pés calejados.
O que se pode pensar de pessoas que choram por estar diante de um ator inábil e que pouco provou de sua carreira? Isso quando não é claro que o tal talento é baseado exclusivamente na padronização da beleza. O que se pode achar de pessoas que se matam por conta de um jogo de futebol em que os atletas, todos juntos, não tem metade da dedicação e entrega daqueles que ali estão torcendo e se matando? No que devo crer quando descubro que uma escritora ruim, de estrutura e conteúdo mais do que previsíveis, insípidos, nada desafiadores, é uma das mulheres mais ricas que existe? O que se deve concluir quando uma mulher, que comemora o dia que a segrega da totalidade humana, nem sabe o porquê do que está fazendo? O que se diz de movimentos que pregam o orgulho racial, o "100% Cor", como resposta a outros movimentos que também pregavam o orgulho racial?
A serpente, que se arrasta para sempre, trazendo na boca o beijo mortal, é a primeira a dançar ao som do pássaro canoro, livre nas nuvens que cultiva como altar.
quinta-feira, 4 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
o menino e a jaula
Mundo vivo de retângulos magros, de arestas redondas onde a palma da mão arrasta o pouco conforto que subtrai ao redor. Olhos cheios de amor amansam a fome que começa a roer por dentro as vigas fundacionais. O espírito suspira laços nunca amarrados enquanto a caixa fechando projeta sombra de um tempo final. Se o seio goteja farto à distância, racha um dos beiços no canto sem voz. De silêncio amanhecido tem vivido o homem, na fartura de pensamentos que se multiplicam em milagre. Oculto o santo, fica a sentinela, firme.
segunda-feira, 1 de março de 2010
blues de quarta-feira
Em uma noite abril me apresentou
estranhos pensamentos de amor
era como se as mãos tivessem fome
quisessem sangue de homem
e pulsação
e pulsação
Naquela esquina tudo acontecia
consentimentos no farol azul
sabedoria em notas de passarinho
e ali sozinho estava
meu coração
meu coração
parece às vezes tão doloroso
dar o primeiro de tantos mais
só que o começo é ladeira abaixo
você sobe na mesa e o resto
sou eu quem faço
sou eu quem faço
conquista espaço com pouco papo
pelas pernas tenho muito a dar
gosto de quando fica assim compacto
então coloco no saco e
vou passear
vou passear
estranhos pensamentos de amor
era como se as mãos tivessem fome
quisessem sangue de homem
e pulsação
e pulsação
Naquela esquina tudo acontecia
consentimentos no farol azul
sabedoria em notas de passarinho
e ali sozinho estava
meu coração
meu coração
parece às vezes tão doloroso
dar o primeiro de tantos mais
só que o começo é ladeira abaixo
você sobe na mesa e o resto
sou eu quem faço
sou eu quem faço
conquista espaço com pouco papo
pelas pernas tenho muito a dar
gosto de quando fica assim compacto
então coloco no saco e
vou passear
vou passear
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